Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010
Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010
da efeméride ou desafio do tempo

na pirâmide de composição social, elas aparecem com as matizes positivas e negativas da própria vida, por vezes, até, com complicadas componentes que chegam a raiar o absurdo. neste contexto, festeja-se, chora-se ou festeja-se e chora-se, ou vira-se costas. ocorre-me uma efeméride, em tempo e memória, daquelas que se deviam festejar em rasgos de plenitude. porém, razões bizarras, impedem o discernimento entre o festejo, a reflexão, a temporalidade vindoura ou os rasgos de absurdo, num exercício que se projecta, muitas vezes, para além do racional. era agora, num último quartel de vida, em que a avidez pelo saboreio de sonhos corporizados se assomava a todo o instante - como que num querer recuperar o tempo que passara, com todas as componentes ali mesmo ao lado, que tudo fugia entre os dedos, como se de areia fina de praia se tratasse, escapando-se entre no apertar de uma mão que segurava, sofregamente, tudo aquilo a que sempre se quis, mas que o tempo sempre negara. até parecia o travar de um diálogo entre a razão e a loucura, em que a razão dizia à loucura - e a loucura dizia à razão, de injustas justiças, num contexto tortuoso, que desembocava num inevitável vortex que engolia para um estômago débil, um sem número de componentes de difícil ou impossível digestão. embora o sol tivesse aparecido radioso, numa manhã limpa em intenso estio, grossas e negras nuvens toldavam um ambiente cerebral que se desejava pacífico, na tranquilidade de um festejo íntimo.
e dizia a razão à loucura - respondendo a loucura à razão, em imaginário diálogo ao melhor estilo:
- até quando loucura, até quando?
- no dia em que deixares a loucura, que certeza te espera, para além de a teres deixado?
- a certeza de que te foste e que foste tu quem me tolheu a vida em luz de falsete e agora, mesmo apoiado numa bengala, eu ando e sou livre, ouviram?
Terça-feira, 24 de Agosto de 2010
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